CENA 6/ INT. DIA, SALA DE AULA
(os alunos um à um guardam seus biscoitos enquanto se entregam à atividades de utilidade duvidosa. ANNA guarda seus biscoitos em uma lancheira e começa à mandar SMS. CAIO morde a ponta da caneta, BOLA faz um círculo grande de tinta com sua caneta. Os outros não importam tanto. Os dois últimos à serem mostrados são o SUPERVISOR, que come casualmente seu biscoito enquanto lê o jornal Lance Livre ou algo semelhante, e FELIPE, que pega 3 biscoitos e os devora todos juntos enquanto ri)
(O foco então se alterna entre o relógio e ARMANDO, que o olha tensamente. Um close é feito no relógio entre os cortes, da mesma maneira que um é feito sobre o rosto de ARMANDO. O close do relógio é no número 12, com o ponteiro se aproximando deste. Quando o ponteiro finalmente alcança o 12, o close é nos olhos de ARMANDO, fechados. Ele pega a mochila e se prepara para sair da sala)
SUPERVISOR
(interpelando ARMANDO)
E você, pra onde acha que vai?
ARMANDO
(se virando de frente para a porta, visivelmente tenso)
Eu? Eu, hum, vou ao banheiro.
SUPERVISOR
Banheiro? À essa hora? Ô Armando, eu não sei se você percebe, mas a sua punição acabou de começar. Volta pra sua cadeira, você vai ter muito tempo pra ir ao banheiro na pausa.
ARMANDO
Mas eu preciso ir!
SUPERVISOR
Ir para o banheiro? De mochila?
(corta para a mochila de ARMANDO)
ARMANDO
(dando de ombros)
Hããã...
SUPERVISOR
Vamos, senta. (tosse) Vai te fazer bem.(a tosse aumenta)
(todos começam à olhar)
SUPERVISOR
(tossindo)
Gente, gente, não é nada.(tosse em um lenço que ele tira do bolso da camisa; foco no lenço: está cheio de uma substância escura e espessa)
SUPERVISOR
Ai, bosta.(cai no chão)
(ARMANDO corre para ajudá-lo; segura-o nos braços como uma Pietá. Enquanto isso, a boca do SUPERVISOR solta mais do líquido preto)
ARMANDO
(berrando)
O que estão esperando? Liguem para alguém, já!
ANNA
(virada e digitando no celular, chorosa)
Ai, meu Deus, que coisa horrível!
(CAIO retira o celular da mochila; digita, mas não dá em nada)
CAIO
Alô? Alô? Emergência? (gritando com o cel.) Caralho! Merda, merda, merda!
(ARMANDO se levanta, deixando SUPERVISOR cair no chão com um barulho forte; ele tem um freak-out básico e gesticula rápido com as mãos como se fosse o Woody Allen)
ARMANDO
Tá bom, pessoal, ta bom, estamos sem sinal, olha, olha, eu vou fazer o seguinte, eu vou lá fora, ligar para a emergência!
BOLA
O orelhão!
CAIO
Bom, o que você ta esperando?
(ARMANDO sai correndo da sala)
VÍTOR
Nossa, isso ta horrível!
(foco no rosto do SUPERVISOR, que solta litros do líquido preto. De fato, é horrível. VÍTOR o limpa, sem surtir muito efeito)
(de repente, ouve-se o barulho de alguém sequelando. VÍTOR é o primeiro à se virar, e logo todos se viram. A câmera, que filmara a limpeza do nariz do SUPERVISOR em apenas um quadro se vira para o FELIPE, no canto da sala, que está chacoalhando e soltando o líquido preto pelo nariz)
(Felipe é filmado de costas. Ele cai, revelando ANNA que o estava encarando de frente com um olhar de choque. Ela balbucia, e então solta um grito histérico para a câmera).
CAIO
(interrompendo ANNA)
Se... Se acalma, mulher!
BOLA
Pessoal, eu não sei que merda, é essa, se é uma epidemia, uma virose, mas não é bonito!
VÍTOR
À essa altura virou uma epidemia sim! Eu não sei, mas... Pera, tem um jeito fácil de resolver isso. O que eles dois tinham em comum?
(BOLA e CAIO olham um para o outro; VÍTOR, com uma expressão vazia, olha para ANNA)
ANNA
Olha, os dois estavam comendo biscoitos. O Felipe pegou uns dez.
VÍTOR
Peraí, mas isso não é possível. Todo mundo comeu os biscoitos.
(ANNA levanta a mão, mostrando o biscoito que não comeu. CAIO e BOLA também mostram seus biscoitos)
VÍTOR
(olhando para baixo)
Tá, ta certo então. (levanta o rosto, incrédulo)Mas pera, pessoal, isso porque o Armando teria nos dado esses biscoitos? (pausa) Onde ele ta agora?
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
Lista de Chamada- Parte III
CENA 5/ INT. DIA, SALA DE AULA
(foco no relógio, filmado meio de baixo. ARMANDO olha o seu relógio, e tira um pacote da mochila. Bota o pacote na mesa e, filmado de cima, retira a tampa. Podemos ver alguns biscoitos meticulosamente empilhados)
ARMANDO
(casual)
Ô galera, eu to com uns biscoitos! Quem quer?
VÍTOR
(pegando um)
Po,já é.
CAIO
(dando de ombros)
Po, nem sei não. Já tomei café, quando eu voltar, sabe como é né. Vai ter frango com quiabo.
BOLA
É, a mesma coisa comigo.
ARMANDO
Ah, deixa de ser viadinho e pega um biscoito, Caio.
CAIO
(tirando um óculos e abrindo uma revista que estava na mesa)
Viadinho. Ele assa biscoitos pra turma inteira e me chama de viado.
ARMANDO
(Pegando um biscoito)
É, e você, Bola? Vai aceitar um desses deliciosos biscoitos de chocolate, ou vai ser uma bi...
(O SUPERVISOR e FELIPE entram na sala e o fundo fosco fica subitamente melhor definido para anunciar sua chegada, interrompendo o insulto homofóbico de Armando.)
ARMANDO
(Se virando)
...Cicleta! Bicicleta. Eu sempre quis uma, mas no momento eu quero é um desses biscoitos.
SUPERVISOR
Alguém aí falou de biscoito? Porque eu taria super afim de um biscoito. É tipo minha comida favorita, e eu nem tomei café da manhã.
FELIPE
(falando entre os dedos)
Larica!
(A visão deveras distante do Felipe fica fosca e no primeiro plano temos o braço do SUPERVISOR, colocando a mão no pote de biscoitos)
SUPERVISOR
(voz off)
Vou pegar uns, ta?
ARMANDO
(idem)
Claro, seja bem-vindo.
FELIPE
(falando alto, de um jeito chapado.)
Ou ou ou! Quero um pouco disso aí também!
(Vários biscoitos chovem sobre ele)
(foco no relógio, filmado meio de baixo. ARMANDO olha o seu relógio, e tira um pacote da mochila. Bota o pacote na mesa e, filmado de cima, retira a tampa. Podemos ver alguns biscoitos meticulosamente empilhados)
ARMANDO
(casual)
Ô galera, eu to com uns biscoitos! Quem quer?
VÍTOR
(pegando um)
Po,já é.
CAIO
(dando de ombros)
Po, nem sei não. Já tomei café, quando eu voltar, sabe como é né. Vai ter frango com quiabo.
BOLA
É, a mesma coisa comigo.
ARMANDO
Ah, deixa de ser viadinho e pega um biscoito, Caio.
CAIO
(tirando um óculos e abrindo uma revista que estava na mesa)
Viadinho. Ele assa biscoitos pra turma inteira e me chama de viado.
ARMANDO
(Pegando um biscoito)
É, e você, Bola? Vai aceitar um desses deliciosos biscoitos de chocolate, ou vai ser uma bi...
(O SUPERVISOR e FELIPE entram na sala e o fundo fosco fica subitamente melhor definido para anunciar sua chegada, interrompendo o insulto homofóbico de Armando.)
ARMANDO
(Se virando)
...Cicleta! Bicicleta. Eu sempre quis uma, mas no momento eu quero é um desses biscoitos.
SUPERVISOR
Alguém aí falou de biscoito? Porque eu taria super afim de um biscoito. É tipo minha comida favorita, e eu nem tomei café da manhã.
FELIPE
(falando entre os dedos)
Larica!
(A visão deveras distante do Felipe fica fosca e no primeiro plano temos o braço do SUPERVISOR, colocando a mão no pote de biscoitos)
SUPERVISOR
(voz off)
Vou pegar uns, ta?
ARMANDO
(idem)
Claro, seja bem-vindo.
FELIPE
(falando alto, de um jeito chapado.)
Ou ou ou! Quero um pouco disso aí também!
(Vários biscoitos chovem sobre ele)
sábado, 22 de setembro de 2012
Lista de Chamada- Parte II
CENA 3/ INT. DIA, CORREDOR.
Vemos CAIO de perfil andando de um canto à outro da tela em um corredor. Corta para CAIO de costas, meio de diagonal, e então um close na sua mão. Vemos ele postando algo na internet:
Detenção agora... Desejem-me sorte.
CAIO bate na porta, várias vezes. É atendido por BOLA, que sorri e o cumprimenta comum aperto de mão criativo.
BOLA
E aí veio! (faz voz assustadora no ouvido de CAIO) Bem vindo... Ao seu pior pesadelo!
CAIO
(rindo de leve)
Hah, não fode, Bola.
BOLA
Ah, anda logo, já ta quase todo mundo aqui.
(Corta para o SUPERVISOR, sentado na mesa, sonolento, de olhos meio fechados, bocejando e coçando a barriga.)
SUPERVISOR
(percebendo Caio)
Ah, olha vocês aí. Bom, já dá pra começar.
(CAIO se senta à mesa, enquanto o SUPERVISOR se levanta, e, filmado de perfil, começa à escrever algo no quadro. Enquanto isso, damos close nos olhos de CAIO enquanto ele olha para todas as pessoas à sua volta: ANNA, ARMANDO, VÍTOR, FELIPE e o ZUMBI, um garoto “distante” que fica ouvindo música no MP3.
Quando terminamos de ver esses personagens em suas atividades mundanas, à lá Clube dos Cinco, vemos a frase do SUPERVISOR, completa no quadro:
ESSE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE SUAS VIDAS
O SUPERVISOR se vira, fica batendo a caneta nas mãos.
SUPERVISOR
Vocês sabem o que essa frase quer dizer? Quer dizer que vocês não sabem aproveitar a vida. E eu não to falando de baladinha, bebidinha ice e essas outras besteirinhas que vocês fazem pra achar que vocês são grandes. Se vocês soubessem aproveitar a vida, teriam feito o possível pra não estar aqui agora. E é essa a real que eu vou mandar pra vocês, molecada: é disso que a vida é feita: de se divertir apenas o suficiente pra não se fuder.
CAIO
(cínico)
Porra, Beto. A gente te conhece há anos. Você assistiu Tropa de Elite ou o quê?
SUPERVISOR
Caio, eu já não te conheço há muito tempo. Nenhum de vocês, aliás. Vocês chegaram aqui, e eram umas crianças pequenas, que assistiam Paua Renge.
BOLA
(Para Caio)
É Power Ranger.
CAIO
(sussurrando)
Morfar.(faz o sinal de Morfar)
SUPERVISOR
Depois disso vocês viraram uns monstros. Agora, além de monstros, são suicidas. Ou vocês endireitam a sua vida, ou a vida vai endireitar vocês.(Abre uma gaveta e pega umas folhas)
(distribui as folhas para cada pessoa. Pára na frente do Felipe)
SUPERVISOR
(sussurrando)
Felipe. Aquela coisa de que falamos.(faz sinal para irem para fora)
(eles vão pra fora)
Corte para ANNA, que olha eles saindo, fica sem fazer nada por um momento, e então pega o celular num gesto mecânico e começa á digitar loucamente.
Corte para BOLA e CAIO, ainda sentados na mesa.
BOLA
(lamentando-se)
É, pelo visto o crime não compensa.
CAIO
Cara, do que você ta falando.
BOLA
(com ar de sabedoria)
Nada, só que, se a gente não tivesse colado na prova do Scarlotti a gente não estaria aqui agora.
CAIO
(irritado e revirando os olhos)
Ah, Bola, isso de novo? Eu já te disse, cara. (pausas entre as palavras) Eu não fiz nada de errado. Encontrei aquele bilhete no estojo, mas não fui eu que botei. Eu fui inocentemente fazer a minha prova, abri o meu estojo, e Oe! O bilhete tava lá. Se o Scarlotti passou naquela hora, bom, azar o meu.
(Corte para BOLA começa já nas últimas palavras da frase, assim como sua interrupção da mesma.)
BOLA
(sorriso sarcástico)
É, valeu Caio. Você quer mesmo que eu acredite nisso? Eu te conheço hà tanto tempo, véi. Eu e você sabemos que mesmo que aquela cola não fosse a sua, cê tinha outra preparada.
CAIO
(resignando-se)
Ei, só porque eu tinha uma cola, não quer dizer que eu iria usa-La.
ANNA
(irritadinha)
Affe, vocês aí discutindo sobre cola. Cara, todos nós tamos aqui pelo mesmo motivo. A gente fez merda, pronto, cabou.
BOLA
Aninha, do que cê ta falando.
CAIO
É, além do que nem todo mundo aqui colou na prova. (“dedo-cam” seguindo as pessoas pra quem ele aponta) Vítor: não fez o dever de casa...
VÍTOR
Ei!
CAIO
...Zumbi: dormiu na aula ouvindo Pink Floyd. Felipe(aponta para a cadeira do Felipe)pego fuman... Pera, cadê ele mesmo?
CENA 4/ INT. DIA, CORREDOR
Corta para o SUPERVISOR e FELIPE fumando maconha do lado de fora da sala de aula. Estão sendo filmados de cima, de um ângulo de 45°.
Corta para um close do rosto do SUPERVISOR.
SUPERVISOR
(tossindo)
Coff, coff. Essa é da boa, hein Felipe.
FELIPE
(rindo)
Aí, assim, cê não acha meio hipocrisia o que você disse não?
SUPERVISOR
(rindo também)
Como assim?
FELIPE
(soando racional)
Sabe, o fato de você ter passado os últimos cinco minutos falando como a nossa geração era decadente, e estava numa espiral de auto-destruição no abuso irresponsável de drogas, e agora tá aqui, comprando drogas de um aluno irresponsável. (Corte para o rosto incrédulo do supervisor por uns segundos enquanto Felipe continua á falar, e depois vai alternando entre os dois. Felipe olha para a tela.) Sabe, parece um truque pretensioso do diretor pra fazer uma crítica social fácil e requentada, que a maioria das pessoas que estão nos assistindo já viram pelo menos cem vezes.
SUPERVISOR
Pessoas... Nos assistindo?(O supervisor expressa choque e incredulidade enquanto os planos vão se alternando. Ambos então começam à rir.) Hahahaha! Cara, cara, não espera, cara, essa é da boa mesmo.
(o foco muda para o chão, e o SUPERVISOR e FELIPE são filmados a distância, parcialmente debaixo. Vemos chegando de trás e meio escurecidas as pernas de PATRÍCIA, a Dark Girl. O foco muda de novo para FELIPE e o SUPERVISOR, que olham uns para os outros enquanto PATRÍCIA fica fosca no segundo plano.)
SUPERVISOR
(parando de rir)
Então, vamos voltar lá pra dentro?
FELIPE
(idem)
Poooois é né, tamo lá.
Vemos CAIO de perfil andando de um canto à outro da tela em um corredor. Corta para CAIO de costas, meio de diagonal, e então um close na sua mão. Vemos ele postando algo na internet:
Detenção agora... Desejem-me sorte.
CAIO bate na porta, várias vezes. É atendido por BOLA, que sorri e o cumprimenta comum aperto de mão criativo.
BOLA
E aí veio! (faz voz assustadora no ouvido de CAIO) Bem vindo... Ao seu pior pesadelo!
CAIO
(rindo de leve)
Hah, não fode, Bola.
BOLA
Ah, anda logo, já ta quase todo mundo aqui.
(Corta para o SUPERVISOR, sentado na mesa, sonolento, de olhos meio fechados, bocejando e coçando a barriga.)
SUPERVISOR
(percebendo Caio)
Ah, olha vocês aí. Bom, já dá pra começar.
(CAIO se senta à mesa, enquanto o SUPERVISOR se levanta, e, filmado de perfil, começa à escrever algo no quadro. Enquanto isso, damos close nos olhos de CAIO enquanto ele olha para todas as pessoas à sua volta: ANNA, ARMANDO, VÍTOR, FELIPE e o ZUMBI, um garoto “distante” que fica ouvindo música no MP3.
Quando terminamos de ver esses personagens em suas atividades mundanas, à lá Clube dos Cinco, vemos a frase do SUPERVISOR, completa no quadro:
ESSE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE SUAS VIDAS
O SUPERVISOR se vira, fica batendo a caneta nas mãos.
SUPERVISOR
Vocês sabem o que essa frase quer dizer? Quer dizer que vocês não sabem aproveitar a vida. E eu não to falando de baladinha, bebidinha ice e essas outras besteirinhas que vocês fazem pra achar que vocês são grandes. Se vocês soubessem aproveitar a vida, teriam feito o possível pra não estar aqui agora. E é essa a real que eu vou mandar pra vocês, molecada: é disso que a vida é feita: de se divertir apenas o suficiente pra não se fuder.
CAIO
(cínico)
Porra, Beto. A gente te conhece há anos. Você assistiu Tropa de Elite ou o quê?
SUPERVISOR
Caio, eu já não te conheço há muito tempo. Nenhum de vocês, aliás. Vocês chegaram aqui, e eram umas crianças pequenas, que assistiam Paua Renge.
BOLA
(Para Caio)
É Power Ranger.
CAIO
(sussurrando)
Morfar.(faz o sinal de Morfar)
SUPERVISOR
Depois disso vocês viraram uns monstros. Agora, além de monstros, são suicidas. Ou vocês endireitam a sua vida, ou a vida vai endireitar vocês.(Abre uma gaveta e pega umas folhas)
(distribui as folhas para cada pessoa. Pára na frente do Felipe)
SUPERVISOR
(sussurrando)
Felipe. Aquela coisa de que falamos.(faz sinal para irem para fora)
(eles vão pra fora)
Corte para ANNA, que olha eles saindo, fica sem fazer nada por um momento, e então pega o celular num gesto mecânico e começa á digitar loucamente.
Corte para BOLA e CAIO, ainda sentados na mesa.
BOLA
(lamentando-se)
É, pelo visto o crime não compensa.
CAIO
Cara, do que você ta falando.
BOLA
(com ar de sabedoria)
Nada, só que, se a gente não tivesse colado na prova do Scarlotti a gente não estaria aqui agora.
CAIO
(irritado e revirando os olhos)
Ah, Bola, isso de novo? Eu já te disse, cara. (pausas entre as palavras) Eu não fiz nada de errado. Encontrei aquele bilhete no estojo, mas não fui eu que botei. Eu fui inocentemente fazer a minha prova, abri o meu estojo, e Oe! O bilhete tava lá. Se o Scarlotti passou naquela hora, bom, azar o meu.
(Corte para BOLA começa já nas últimas palavras da frase, assim como sua interrupção da mesma.)
BOLA
(sorriso sarcástico)
É, valeu Caio. Você quer mesmo que eu acredite nisso? Eu te conheço hà tanto tempo, véi. Eu e você sabemos que mesmo que aquela cola não fosse a sua, cê tinha outra preparada.
CAIO
(resignando-se)
Ei, só porque eu tinha uma cola, não quer dizer que eu iria usa-La.
ANNA
(irritadinha)
Affe, vocês aí discutindo sobre cola. Cara, todos nós tamos aqui pelo mesmo motivo. A gente fez merda, pronto, cabou.
BOLA
Aninha, do que cê ta falando.
CAIO
É, além do que nem todo mundo aqui colou na prova. (“dedo-cam” seguindo as pessoas pra quem ele aponta) Vítor: não fez o dever de casa...
VÍTOR
Ei!
CAIO
...Zumbi: dormiu na aula ouvindo Pink Floyd. Felipe(aponta para a cadeira do Felipe)pego fuman... Pera, cadê ele mesmo?
CENA 4/ INT. DIA, CORREDOR
Corta para o SUPERVISOR e FELIPE fumando maconha do lado de fora da sala de aula. Estão sendo filmados de cima, de um ângulo de 45°.
Corta para um close do rosto do SUPERVISOR.
SUPERVISOR
(tossindo)
Coff, coff. Essa é da boa, hein Felipe.
FELIPE
(rindo)
Aí, assim, cê não acha meio hipocrisia o que você disse não?
SUPERVISOR
(rindo também)
Como assim?
FELIPE
(soando racional)
Sabe, o fato de você ter passado os últimos cinco minutos falando como a nossa geração era decadente, e estava numa espiral de auto-destruição no abuso irresponsável de drogas, e agora tá aqui, comprando drogas de um aluno irresponsável. (Corte para o rosto incrédulo do supervisor por uns segundos enquanto Felipe continua á falar, e depois vai alternando entre os dois. Felipe olha para a tela.) Sabe, parece um truque pretensioso do diretor pra fazer uma crítica social fácil e requentada, que a maioria das pessoas que estão nos assistindo já viram pelo menos cem vezes.
SUPERVISOR
Pessoas... Nos assistindo?(O supervisor expressa choque e incredulidade enquanto os planos vão se alternando. Ambos então começam à rir.) Hahahaha! Cara, cara, não espera, cara, essa é da boa mesmo.
(o foco muda para o chão, e o SUPERVISOR e FELIPE são filmados a distância, parcialmente debaixo. Vemos chegando de trás e meio escurecidas as pernas de PATRÍCIA, a Dark Girl. O foco muda de novo para FELIPE e o SUPERVISOR, que olham uns para os outros enquanto PATRÍCIA fica fosca no segundo plano.)
SUPERVISOR
(parando de rir)
Então, vamos voltar lá pra dentro?
FELIPE
(idem)
Poooois é né, tamo lá.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Lista de Chamada- Parte I
LISTA DE CHAMADA
CENA 1/ INT. QUARTO
(FADE IN para vários shots em preto e branco de uma cidade desoladora. Chove muito.
Corta para uma janela onde a chuva ainda cai.
Zoom out: é um quarto, muito desarrumado.
Shots de umas fotos de pessoas felizes.
Corta para um despertador, que começa á tocar. O toque pode ser um toque normal ou alguma música dos anos 90. Os números no despertador são de um vermelho bem destacado contra o preto e branco do quarto.
Um braço desliga o despertador.
Corta para a cama. CAIO retira o cobertor, revelando seu rosto. Seu olhar é vazio.
Ele liga a TV, mas só tem estática.
Sai da cama, e pega um bilhete preso em uma foto de família.
Vemos ele olhando para o bilhete, e daí vemos o bilhete:
Querido filhinho, não se esqueça que hoje você tem sua detenção. Deixei o café na mesa pra você.
Beijos, Mamãe.
CENA 2/ INT. DIA, VEÍCULO.
CAIO é filmado de fora de um carro/táxi/ônibus olhando pela janela. A silhueta da escola pode ser vista refletida na janela.
CENA 1/ INT. QUARTO
(FADE IN para vários shots em preto e branco de uma cidade desoladora. Chove muito.
Corta para uma janela onde a chuva ainda cai.
Zoom out: é um quarto, muito desarrumado.
Shots de umas fotos de pessoas felizes.
Corta para um despertador, que começa á tocar. O toque pode ser um toque normal ou alguma música dos anos 90. Os números no despertador são de um vermelho bem destacado contra o preto e branco do quarto.
Um braço desliga o despertador.
Corta para a cama. CAIO retira o cobertor, revelando seu rosto. Seu olhar é vazio.
Ele liga a TV, mas só tem estática.
Sai da cama, e pega um bilhete preso em uma foto de família.
Vemos ele olhando para o bilhete, e daí vemos o bilhete:
Querido filhinho, não se esqueça que hoje você tem sua detenção. Deixei o café na mesa pra você.
Beijos, Mamãe.
CENA 2/ INT. DIA, VEÍCULO.
CAIO é filmado de fora de um carro/táxi/ônibus olhando pela janela. A silhueta da escola pode ser vista refletida na janela.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
"Lista de Chamada"
Começarei a postar à partir de amanhã o meu atual projeto, "Lista de Chamada", um roteiro original.
É a base para um filme de terror/suspense(nunca entendi essa distinção, mas ok) que eu espero poder ver nas telas algum dia. Por isso, aspirantes à diretores idealistas por aí, não tenham medo! Dêem uma chance à esse filme.
Eu ainda sou meio que principiante na arte de escrever roteiros(que, diga-se de passagem, são bem diferentes de textos romanceados), e na verdade tudo que eu sei eu peguei de dicas na internet que podem ou não estar certas(Wikipédia, estou olhando para você). Isso dito, deixem críticas construtivas! Assim como todos os outros trabalhos que postarei aqui, essa é apenas a versão 1.0, e se você acha que tem como a história ficar melhor dê dicas nos comentários. Essa é a única maneira de eu saber o que vocês pensam. No final, é ainda bom para nós todos, visto que eu adquiro mais experiência e vocês ganham uma história melhor do que se não tivessem dito nada e saído desgostosos para ler o blog do Diogo Mainardi*.
O filme é bastante parecido com Pânico, no sentido em que é uma desconstrução do filme tradicional de terror, mas é também uma condenação do bullying e... bom, vejam por vocês mesmos.
Então, até amanhã, e até a primeira cena!
(*Se bem que, se você lê o blog do Diogo Mainardi, nem precisa voltar aqui, não.)
Franco Alencastro estupra, mas não mata.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Texto de madrugada, e a democratização do abraço.
Começando à escrever esse texto de madrugada, lembrei do famoso artigo sobre as Pessoas B, que anda circulando bastante pela Internet(bom, a parte que eu frequento, em todo caso).
É uma ideia surgida na Súecia, como quase tudo de bom nesse planeta azul, que inclui coisas maravilhosas como a IKEA, a banda ABBA, o Ace of Base e os romances policiais/pornô sombrio de Stieg Larsson.
Os defensores da "Sociedade B" dizem que a população mundial é dividida entre "Pessoas A", que tem seu pico de atividade nas primeiras horas da manhã, e as "Pessoas B", que ao contrário de seus amiguinhos favorecidos pelo Senhor Deus, preferem madrugar tarde e são mais produtivos com a lua à pino.
A ideia não tem base científica alguma, e parece mais ter sido modelada por algum comediante stand-up, daqueles que gostam de rotular pessoas. Ainda assim, é uma mostra interessante do que acontece com uma sociedade quando ela essencialmente, conquista todos os achievements do videogame conhecido como desenvolvimento(que, me falaram, é difícil pra caralho e ninguém nunca zerou com 100%), e sua população não está mais ameaçada de fome, guerra, sarampo ou mesmo a ocasional gripe. Daí, inventam causas misteriosas como essa(Marcha das Vadias, eu estou olhando para você), que então são ainda mais misteriosamente exportadas para países do Terceiro Mundo que, estes sim, estão cheios de problemas, como a fome, o analfabetismo e o fato do Michel Teló ser o artista mais quente do momento.
O site da proposta é cômico, cheio de trocadilhos espertinhos( espertinho no nível "B all you can B", e espertinho no nível "se você fizer mais um desses, eu vou te dar um chute tão forte nos bagos que a letra b vai pedir arrego") e a noção curiosa de que as Pessoas A vieram à dominar a cultura, e portanto, oprimem as Pessoas B, fazendo-as abraçar uma agenda para as quais são inadaptadas. E sabe o que mais? Eu apóio o projeto(sim, eu mesmo, o hipócrita residente de um enclave de Primeiro Mundo num país de Terceiro Mundo), pelo mesmo motivo que eu apóio a iniciativa da Irmandade Internacional Revolucionária dos Canhotos de se sublevar contra a ditadura da Destroição: ela me beneficia. Eu evidentemente me sinto uma pessoa B(sempre escrevo e estudo entre a meia-noite e as 3 da manhã, e em termos qualitativos sou mesmo mais produtivo nesses horários), então, se for para garantir um pouco mais de qualidade de vida e até uns horários de trabalho e estudo alternativos para mim e meus semelhantes, ei, porque não?
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Não falarei sobre a democratização do abraço nem agora, nem provavelmente nunca, porque a preguiça bateu. É meu lado A falando nesse momento.
(Sim, esse título foi um pega-trouxa.)
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Vocês devem ter notado que prometi uma entrevista com a ruivaça(se é que essa palavra existe) e musa atual da direita nacional, Cibele Baginski. E que eu não entreguei.
É, pois é. Acreditem se quiser, dessa vez não é preguiça! É problema com o email mesmo. Até essas pendências serem resolvidas e a entrevista terminada, estarei postando, capítulo por capítulo(ou melhor, cena por cena) meu roteiro "Lista de Chamada" um projeto original de terror e suspense. Fiquem ligados!
Franco Alencastro é amigo de todos os seres humanos, sejam eles negros, asiáticos, ou normais.
domingo, 9 de setembro de 2012
Que rufem os tambores
Inauguro hoje o novo especial do blog: o Pingue-Pongue do Literabyte! Entrevistas com as personalidades do momento- bom, em todo caso, as que responderem meus emails.
Nossa primeira entrevistada será Cibele Bumbel Baginski, a (re)fundadora do partido conservador ARENA.
Nossa primeira entrevistada será Cibele Bumbel Baginski, a (re)fundadora do partido conservador ARENA.
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